segunda-feira, 9 de junho de 2014

Nehomanus (Capítulo I - parte1)

Depois de uma breve ausência eis que os devaneios voltaram (na verdade sempre estiveram por cá... tempo para escrever e publicar é que é outra história ...). Espero que gostem.


- Nehomanus -

Capítulo I

Horacio Esteban conduzira o velho camião Volvo através de estradas complicadas a sul de Coyhaique, no sul do Chile, trazendo consigo sobretudo peças de equipamentos de escavação e algum combustível. Depois de várias horas sobre o asfalto rodeado pelo deserto rochoso, estava feliz por estar a chegar, finalmente, ao seu destino, embora estivesse surpreendido por encontrar guardas armados a vigiar a entrada, uma vez que lhe tinham dito que o seu destino era uma escavação arqueológica. Mesmo assim, como tinha todos os documentos necessários, não houve qualquer complicação à entrada:

- Dirija-se para o grande edifício cinzento! – Ordenou-lhe um dos guardas – Ande três quilómetros sempre em frente e depois vire à direita.
- Obrigado. – Retribuiu de imediato, a pensar que ainda tinha de andar mais um pouco antes de poder descansar um pouco, como já ansiava.

Não demorou muito a aperceber-se de que algo não estava bem. Assim que passara a vedação e os guardas estivera atento ao conta-quilómetros e mesmo depois de ultrapassar os cinco quilómetros não via sinal de desvios ou de edifícios de cor alguma. Decidiu parar para poder observar melhor o caminho do topo do camião e logo avistou algo que se poderia parecer com o edifício que lhe fora descrito. Na verdade parece ser mais um conjunto de pequenas casas ou tendas em torno de um grande hangar ou algo parecido – Bom, é grande e cinzento … e isso é suficiente para mim – Reflectiu por uns instantes, antes de voltar ao volante. Sem se aperceber, na pressa para terminar o seu transporte, não reparou que estava a tomar o desvio para a esquerda.
***
No que parecia ser um escritório, que se tratava apenas de uma sala escura na verdade, um grupo reuniu-se em torno de uma mesa para debater o estado do seu projecto. Equipadas com todo o material necessário, não pareciam ser afectadas pela fraca luminosidade.

- E como ficou o caso do corpo nosso anterior superior? Pelo que ouvi você deixou uma confusão na morgue … - Proferiu um dos membros de topo, responsável por orientar o rumo da reunião -... Dr. Drake-Royston!
- Caro Secretário Bennett… - Começou, mostrando absoluta tranquilidade enquanto elaborava uma resposta… - como está explicado no relatório que vos enviei a todos, esse assunto foi já se encontra tratado…
- Tratado? E a confusão e sangue deixados na morgue? – Interrompeu uma terceira figura, uma mulher madura - Temo que a confusão deixada por si tenha criado um rasto que irá conduzir inevitavelmente até nós… e você sabe muito bem que encobrir estes “rastos” pode tornar-se muito problemático!
- Caríssima Senhorita Luigia, como deve saber o caso ocorreu na excitante, mas por vezes trágica, Las Vegas… conhecida por muitas coisas, mas infelizmente também pela sua substancial taxa de criminalidade… - Respondeu de imediato, mantendo a calma como se de nada tratasse - … acontece que naquela fatídica noite também tínhamos um corpo de um criminoso a sério, membro de um terrível gangue local.
- E? – Retorquiu quase imediatamente Vitalia Luigia - No que é que isso nos ajuda?
- Digamos que tudo se resolveu quase por si … - Continuou Drake, quase esboçando um sorriso na sua face, normalmente ausente de qualquer expressão - … alterei os registos de forma a ligar o cadáver desse criminoso com o turno da jovem Lynette Hooper, e naturalmente o crime foi ligado ao gangue a que o corpo pertencia, numa tentativa de recuperar o mesmo. Podemos dizer até que esta trágica morte possibilitou a apreensão dos membros de topo do dita organização criminosa, e consequentemente o desmantelamento de vários negócios ilícitos a eles associados. Aliás, foi isso que foi dito no funeral da rapariga, … como forma de justificar a sua morte.

Durante alguns momentos a sala esteve completamente silenciosa. Esse silêncio foi subitamente quebrado por uma quarta figura, um idoso que tinha estado silencioso mas atento a cada palavra no encontro:

- E o corpo do mestre, o ritual já foi iniciado?
- Afirmativo Venerável Jørgen… - Respondeu Bennett desta vez - … está tudo a postos para o ritual, esta noite mesmo!


Pouco mais foi acrescentado à discussão, e em pouco tempo a reunião foi dada como terminada. Todo procedera de forma normal, como qualquer outra reunião de negócios em qualquer outro escritório, com a excepção de neste as haver pouca luz e dos olhos de todos os presentes brilharem. 



Fiquem por perto para novos devaneios.
Um abraço.
Joaquim Oliveira, Junho de 2014

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